Diagramar um livro é decidir como cada página vai ser lida. O miolo, o interior do livro, é onde o leitor passa quase todo o tempo, e é nele que um livro parece feito por quem entende do ofício ou por quem improvisou. Este guia explica, sem jargão, o que entra no projeto gráfico do miolo e como reconhecer um trabalho bem feito.
O que é diagramação (e o que ela não é)
Diagramar é organizar texto, títulos, imagens e elementos gráficos nas páginas, seguindo um projeto gráfico. O projeto gráfico define as regras uma única vez: formato, margens, fonte, tamanhos, espaçamentos. A diagramação aplica essas regras da primeira à última página, com consistência.
Isso é diferente de colar o texto num arquivo e imprimir. E vem depois de uma etapa importante: o texto precisa estar revisado antes. Alterar o texto depois de diagramado desmonta a paginação e abre espaço para novos erros. Veja a ordem certa em Revisão x copidesque.
Formato: o tamanho do livro
O formato é a primeira decisão, porque ele muda o número de páginas, o custo de impressão e a sensação de leitura. Os mais comuns em livros de texto são 14 x 21 cm, muito usado em romances e não ficção, e 16 x 23 cm, comum em ensaios, livros técnicos e obras com mais texto por página. Livros infantis e ilustrados costumam ter formatos próprios, maiores ou quadrados.
Defina o formato antes de diagramar. Trocar de formato no meio do caminho significa refazer a paginação inteira. E converse com a gráfica: o aproveitamento do papel influencia o preço, como mostra o guia de quanto custa imprimir um livro.
Margens, mancha e medianiz
A mancha é a área que o texto ocupa na página. Margens generosas descansam o olho e dão ar de livro bem cuidado. A margem interna, chamada medianiz, precisa ser maior que a externa, porque parte da página some na encadernação. Por isso as páginas são projetadas em espelho, com margem interna e externa, e não esquerda e direita.
Margem apertada, texto encostado na dobra e páginas lotadas são os sinais mais rápidos de um miolo amador.
Tipografia: fonte, corpo e entrelinha
Para texto corrido longo, fontes com serifa costumam cansar menos a leitura. O tamanho do texto, chamado corpo, fica na maioria dos livros de prosa entre 10 e 12 pontos, dependendo da fonte e do formato. A entrelinha, o espaço entre as linhas, precisa respirar: algo em torno de 120% a 140% do corpo é um ponto de partida comum.
- Uma fonte para o texto e, no máximo, uma segunda para títulos. Misturar muitas fontes denuncia improviso.
- Texto justificado exige cuidado com a separação de sílabas, para não abrir buracos brancos no meio das linhas.
- Em poesia, o alinhamento à esquerda respeita melhor a respiração dos versos.
Os detalhes que fazem a diferença
É nos detalhes que se percebe o profissionalismo. Os mais importantes:
- Recuo de primeira linha nos parágrafos, em vez de linha em branco entre eles. O primeiro parágrafo de cada capítulo costuma ir sem recuo.
- Capítulos abrindo em página ímpar, do lado direito, nas edições mais cuidadas.
- Viúvas e órfãs: linhas soltas sozinhas no topo ou no fim da página devem ser evitadas.
- Cabeçalho e numeração de página consistentes, sem número nas páginas de abertura de capítulo.
- Hierarquia clara entre título de capítulo, subtítulo e texto, com o mesmo tratamento em todo o livro.
Elementos antes e depois do texto
Um livro tem mais do que capítulos. Antes do texto costumam vir folha de rosto, página de créditos com ficha catalográfica e ISBN, dedicatória e sumário. Depois dele, agradecimentos, sobre o autor e, quando há, notas e bibliografia. Cada um segue uma ordem convencional. A papelada da página de créditos está explicada em ISBN, ficha catalográfica e direitos.
Word ou profissional?
O Word é ótimo para escrever, mas tem limites de controle tipográfico e de exportação para gráfica. Para um livro de texto simples, quem domina estilos consegue um resultado aceitável. Já livros com poesia, tabelas, imagens, notas ou projeto mais elaborado pedem programas de diagramação, que controlam grade, estilos, separação de sílabas e imagens em alta resolução.
A decisão honesta é esta: quanto mais complexo o livro, mais a diagramação profissional se paga em qualidade e em tempo.
Antes de mandar para a gráfica
- Confira o arquivo final página por página, incluindo sumário e numeração.
- Siga as especificações da gráfica: formato, tipo de PDF, fontes embutidas e margens de segurança.
- Sempre que possível, peça uma prova impressa antes da tiragem. Erros que passam despercebidos na tela aparecem no papel.
Como saber o que o seu livro pede
Um romance de texto corrido e um livro técnico com tabelas e imagens não têm o mesmo miolo. A melhor forma de saber a complexidade do seu projeto é uma leitura por quem entende. Na Maranta, a análise do original avalia o material e indica o que ele pede, da diagramação ao restante da produção, antes de qualquer orçamento.
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